Glossário
Os termos que aparecem nos artigos e na reunião de obra, explicados em poucas linhas e com exemplo de canteiro.
- 5 porquês
Técnica para chegar à causa de um problema perguntando “por quê?” sobre cada resposta, até a resposta parar de ser sintoma. “Faltou argamassa” leva a “o pedido saiu tarde”, que leva a “ninguém faz o pedido quando o almoxarife folga”. O número cinco é referência, e não regra.
- Caminho crítico
Sequência de tarefas do cronograma que define a data de término da obra. Qualquer atraso numa tarefa do caminho crítico atrasa a entrega, a menos que outra seja acelerada. No MS Project, aparece calculado a partir das ligações entre tarefas.
- Curva S
Gráfico do avanço acumulado da obra ao longo do tempo, planejado e real. Tem formato de S porque a obra começa devagar, acelera no meio e desacelera no acabamento. Mostra se a obra está adiantada ou atrasada no total, mas não diz onde está o problema.
- Desperdício
Tudo que consome tempo, material ou esforço sem agregar valor para quem recebe a obra. No canteiro, aparece como espera por material, retrabalho, transporte repetido dentro do canteiro e equipe parada sem frente. Formoso e colegas (2002) mostraram que boa parte da perda de material em obras brasileiras era evitável com medidas de gestão.
- Estrutura analítica do projetoEAP
Divisão do escopo da obra em partes menores, em níveis: obra, bloco, pavimento, serviço. É a base para montar o cronograma e o orçamento. Uma EAP organizada por local facilita a linha de balanço, porque cada serviço já aparece separado por pavimento.
- Fluxo
Visão da obra como material, informação e equipes passando de uma etapa para a outra. Koskela (1992) propôs olhar a construção como fluxo, além de conversão: o tempo de espera, transporte e inspeção entre as tarefas também conta, e é onde costuma estar a maior parte do desperdício.
- Frente de serviço
Local liberado onde uma equipe pode trabalhar, como um pavimento, um trecho ou uma prumada. Equipe sem frente fica parada ou é deslocada para outro lugar. Boa parte do planejamento de curto prazo consiste em garantir que cada equipe tenha frente na semana seguinte.
- Gemba
Palavra japonesa para o lugar onde o trabalho acontece. Na obra, é o canteiro. Ir ao gemba significa ver o problema no pavimento, com a equipe, antes de discutir na sala. Uma volta pelo canteiro antes da reunião semanal é um exemplo simples.
- Gestão visual
Prática de deixar a informação da obra visível para todos, no lugar onde ela é usada. Exemplos: quadro do plano semanal no contêiner, PPC por equipe na parede, placa de pavimento liberado. A ideia é que qualquer pessoa saiba o estado da obra sem precisar perguntar.
- Gráfico de Gantt
Cronograma em barras horizontais, uma por tarefa, sobre uma linha do tempo. É o formato padrão do MS Project. Mostra bem duração e dependência entre tarefas, mas esconde o local: dez barras de alvenaria, uma por pavimento, não mostram se uma equipe vai alcançar a outra.
- Just in timeJIT
Entrega de material ou serviço no momento em que vai ser usado, nem antes nem depois. Reduz estoque no canteiro e material danificado. Na obra, depende de um lookahead confiável: sem saber quando a frente estará liberada, a entrega vira aposta.
- Kaizen
Melhoria contínua em passos pequenos, feita por quem executa o trabalho. Na obra, é ajustar a sequência da alvenaria depois de ver onde a equipe perdeu tempo, ou mudar o lugar da betoneira para encurtar o transporte. Cada mudança é pequena, e o ganho vem da repetição semana a semana.
- Kanban
Sinal visual que dispara a reposição de um material ou o início de uma tarefa. Na obra, pode ser um cartão no palete que avisa o almoxarifado para pedir mais bloco quando o estoque do pavimento chega a um certo nível. Faz o material ser puxado pelo consumo.
- Last Planner SystemLPS
Sistema de planejamento e controle da produção descrito por Ballard (2000). Trabalha em níveis: plano mestre, planejamento de fases, lookahead e plano semanal. O nome vem do last planner, o encarregado que promete a tarefa da semana. O resultado de cada semana é medido pelo PPC.
- Lean Construction
Aplicação à construção das ideias da produção enxuta, que vieram da indústria automobilística japonesa. Koskela (1992) fez a primeira proposta formal. Na obra, significa planejar pelo fluxo de equipes e locais, cortar espera e retrabalho, e tornar o plano confiável o bastante para que as promessas da semana sejam cumpridas.
- Linha de balançoLOB
Gráfico com os locais da obra no eixo vertical e o tempo no horizontal. Cada serviço vira uma reta subindo pavimento a pavimento, e a inclinação mostra o ritmo da equipe. Retas que se cruzam indicam choque entre equipes. Funciona melhor em obra repetitiva, como edifícios de pavimento tipo.
- Linha de base
Cópia congelada do cronograma aprovado, usada para comparar com o andamento real. No MS Project, é gravada antes do início da obra. Quando o plano muda muito, uma nova linha de base pode ser gravada, mas a original deve ficar guardada para mostrar o atraso total.
- Lookahead
Planejamento de médio prazo, que olha as próximas semanas da obra para encontrar e remover restrições antes que elas parem uma frente de serviço. Ballard (2000) fala em janelas de 3 a 12 semanas. Na nossa leitura, seis semanas servem para a maioria das obras de edificação.
- Pacote de trabalho
Unidade de tarefa usada no plano semanal: um serviço, num local, com quantidade e equipe definidas. “Alvenaria do 7º pavimento, ala norte, equipe do João” é um pacote. Quanto mais claro o pacote, mais fácil saber na sexta se ele foi cumprido.
- Percentual do plano concluídoPPC
Indicador semanal do Last Planner System: número de pacotes concluídos dividido pelo número de pacotes planejados. Se a semana teve 20 pacotes e 15 foram cumpridos por completo, o PPC é 75%. Tarefa feita pela metade conta como não cumprida.
- Planejamento e controle da produçãoPCP
Conjunto de rotinas que define o que a obra vai produzir, em que ordem e com quais recursos, e confere se foi feito. Inclui cronograma, lookahead, plano semanal e medição. No Brasil, o grupo NORIE da UFRGS, com Carlos Formoso, estuda PCP em construtoras desde os anos 1990.
- Planejamento puxado
Planejamento que começa pela data de entrega de uma etapa e volta no tempo, perguntando o que cada equipe precisa receber da anterior. Costuma ser feito em reunião com os empreiteiros, com post-its na parede. O oposto é o planejamento empurrado, que lança as tarefas para a frente a partir da data de início.
- Plano mestre
Cronograma da obra inteira, com as grandes etapas, os marcos e a data de entrega. Na maioria das construtoras, é o cronograma do MS Project. No Last Planner System é o primeiro nível: define o que deve ser feito, e os níveis de baixo definem o que será feito.
- Plano semanal
Lista de pacotes de trabalho que cada equipe promete cumprir na semana, montada na reunião semanal com os encarregados. Só entra tarefa sem restrição. Na semana seguinte, cada pacote é marcado como cumprido ou não, com a causa, e dessa conta sai o PPC.
- Pulmão
Folga colocada de propósito no plano para absorver variação, também chamada de buffer. Pode ser tempo entre duas equipes, um pavimento de distância entre serviços ou estoque de material. Pulmão pequeno demais propaga atraso de uma equipe para a próxima, e pulmão grande demais alonga a obra.
- Razão de não cumprimentoRNC
Causa registrada para cada pacote do plano semanal que não foi cumprido, como falta de material, projeto, chuva ou equipe deslocada. Somadas ao longo das semanas, mostram onde atacar. No canteiro, a sigla RNC também é usada para o relatório de não conformidade da qualidade, que é outra coisa.
- Restrição
Qualquer coisa que impede uma tarefa de começar na data planejada: projeto não liberado, material não entregue, equipe não contratada, serviço anterior não terminado. No lookahead, cada restrição vira uma linha com responsável e prazo. Tarefa com restrição aberta não entra no plano semanal.
- Takt
Ritmo fixo com que as equipes passam de um local para o próximo. Com takt de cinco dias, toda equipe muda de pavimento a cada cinco dias, em sequência. Na linha de balanço, um plano em takt aparece como retas paralelas. A palavra vem do alemão e quer dizer compasso.
- Valor
O que quem recebe a obra reconhece e paga: a parede pronta, a instalação funcionando, a entrega no prazo. Womack e Jones (1996) colocam a definição de valor como o primeiro princípio do pensamento enxuto. Atividade que não aproxima a obra desse resultado é candidata a desperdício.
- Variabilidade
Diferença entre o que foi planejado e o que acontece: produtividade que muda de um dia para o outro, entrega que atrasa, chuva. A variabilidade de uma equipe passa para a seguinte. O Last Planner System ataca a variabilidade do fluxo de trabalho, tornando as promessas da semana mais confiáveis.